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Rinoplastia e perfil facial

Rinoplastia e cirurgia ortognática juntas: quando dá pra combinar e quando o nariz precisa esperar

Você quer arrumar o nariz, mas o problema pode estar no maxilar ou no queixo. Entenda a ordem obrigatória das cirurgias e a regra que decide se dá pra fazer tudo de uma vez.

Agosto de 2026 · 8 min de leitura


Você olha no espelho, não gosta do nariz e a primeira ideia que aparece é rinoplastia. Faz sentido, é o que a gente vê. Só que muita gente chega ao consultório querendo mexer no nariz e descobre que a queixa começa mais abaixo, no maxilar ou no queixo. O nariz se apoia numa base óssea, e quando essa base está fora de posição a percepção do rosto inteiro muda. Por isso, antes de falar em nariz, vale entender o que está sustentando ele.

Quem trata isso na clínica é uma dupla. A cirurgia ortognática, que reposiciona os ossos da face, é feita pelo Dr. Matheus Dib, cirurgião bucomaxilofacial. A rinoplastia é feita pelo Dr. Vinicius Dib, cirurgião plástico especialista em nariz, que é irmão do Matheus e opera os casos combinados junto com ele. Essa divisão não é detalhe burocrático. O Conselho não autoriza o cirurgião bucomaxilo a fazer rinoplastia estética, então a parte do nariz é sempre do cirurgião plástico. Quando um caso pede as duas coisas, os dois trabalham em dupla, cada um na sua competência.

por que o nariz nunca vem antes

Existe uma regra que não tem exceção nesse tipo de planejamento. Se o seu caso tem indicação de ortognática e você também quer mexer no nariz, a ortognática vem primeiro. Sempre. A ordem inversa não acontece.

Se o paciente tem planejamento de ortognática e nariz, a gente nunca opera o nariz antes.

Dr. Vinicius Dib, cirurgião plástico

O motivo aparece numa frase que resume a lógica anatômica de tudo isso.

O céu da boca é o chão do nariz.

Dr. Matheus Dib

Pense na estrutura. A maxila é o osso da parte de cima da boca, onde ficam os dentes superiores. O teto da sua boca, o palato, é a parte de baixo desse osso. E a parte de cima do mesmo osso é justamente o piso do nariz. Maxila e nariz compartilham a mesma fundação. Quando a ortognática move a maxila, ela mexe no chão sobre o qual o rinoplasta vai montar a nova estrutura nasal. Operar o nariz primeiro seria construir a casa antes de saber onde vai ficar o terreno. Se depois a maxila muda de lugar, o resultado do nariz muda junto, e o trabalho feito antes se perde.

Vale entender o vocabulário básico, porque ele vai voltar. Maxila é o osso de cima, com os dentes superiores. Mandíbula é o osso de baixo, o que se move quando você fala e mastiga. A cirurgia ortognática reposiciona um desses ossos, ou os dois, pra corrigir a forma como eles se encaixam e como o rosto se organiza. É uma cirurgia que muda função, mordida e respiração, não só aparência.

a regra dos 5 mm decide se dá pra fazer tudo junto

Nem sempre a ortognática e a rinoplastia precisam ser cirurgias separadas, com meses de intervalo. Em parte dos casos dá pra combinar as duas no mesmo tempo cirúrgico. O que decide isso é o tamanho do movimento planejado pra maxila, e existe um número de referência pra isso.

O protocolo vem do Dr. Mirco Raffaini, cirurgião italiano referência na área, e ficou conhecido como a regra dos 5 mm. Funciona assim. O cirurgião calcula quanto a maxila precisa se mover, seja pra cima, pra baixo, pra frente ou pra trás. Se esse movimento fica dentro de 5 milímetros, a base do nariz muda pouco, e há espaço pra pensar em fazer as duas cirurgias juntas. Se o movimento passa de 5 milímetros, a recomendação é fazer a rinoplastia depois, e não no mesmo procedimento.

A razão é a mesma da ordem obrigatória. Um movimento grande de maxila altera bastante o piso do nariz. Montar a estrutura nasal em cima de uma base que acabou de se deslocar muito deixa o resultado imprevisível. Melhor deixar a fundação assentar primeiro, e só depois trabalhar o nariz sobre um terreno já estável.

Quando a rinoplastia fica pra depois, o intervalo costuma ser de uns seis meses. Esse tempo tem uma função clara. Toda cirurgia gera edema, que é o inchaço dos tecidos operados. Enquanto o edema não baixa, o rosto ainda não mostra o formato final. Esperar o inchaço se acomodar deixa o cirurgião plástico planejar o nariz com base no rosto de verdade, o que ele vai ser depois da ortognática, e não no rosto ainda inchado das primeiras semanas.

a ortognática muda o nariz mesmo sem tocar nele

Um ponto que surpreende quem chega querendo só rinoplastia é que a cirurgia ortognática altera o nariz por conta própria. Ela nem precisa encostar nele. Ao mudar a base óssea, ela muda a aparência da parte de cima.

Como explica o Dr. Vinicius Dib, cirurgião plástico, a ortognática altera o nariz: ele tende a ficar mais largo depois do reposicionamento da maxila, e a ponta pode se comportar de um jeito diferente conforme a maxila avança. Aqui cabe uma correção técnica importante, porque circula a ideia de que a ortognática "levanta a ponta do nariz". No avanço, a maxila desce e vem pra frente, e isso projeta mais o nariz. A sensação de ponta subindo é percepção visual, efeito da mudança do conjunto do rosto. Quem de fato trabalha o dorso e as cartilagens do nariz é a rinoplastia, não a ortognática. Uma coisa é a base se mover e mudar a moldura. Outra é esculpir a estrutura nasal em si.

Esse é mais um argumento pra ordem não se inverter. Se a própria ortognática já muda largura e projeção do nariz, faz sentido esperar essa mudança acontecer antes de decidir o que a rinoplastia vai ajustar.

quando o nariz parece o problema, mas não é

Boa parte dos casos combinados começa com uma queixa sobre o nariz que, no fim, aponta pra outro lugar. Duas situações aparecem bastante.

A primeira é o paciente classe II. Classe II é quando o queixo e a mandíbula ficam mais recuados em relação à maxila, o clássico perfil de queixo pra trás. Nessa configuração, o nariz parece maior do que realmente é. Não é uma ilusão qualquer, é geometria. Como resume o Dr. Vinicius Dib, cirurgião plástico, "quando o paciente tem o queixo para trás, parece que o nariz é maior do que é, é questão de perspectiva". Quando o queixo recua, o nariz fica mais em evidência no perfil, e o olho lê isso como nariz grande.

Nesses casos, a indicação principal é a ortognática, que traz o queixo e a mandíbula pra posição certa e reequilibra o perfil. No mínimo, uma mentoplastia já melhora bastante. Mentoplastia é a cirurgia que reposiciona o queixo, avançando ele quando está recuado. Só de acertar o queixo, a proporção do nariz com o resto do rosto muda, e o nariz que parecia grande passa a parecer adequado, sem ninguém ter tocado nele.

A segunda situação é o paciente birretruso. Birretruso é quando os dois maxilares, maxila e mandíbula, estão recuados, o que deixa a face mais curta e comprimida. Essa pessoa quase sempre acha o nariz grande. Mas o nariz costuma estar do tamanho certo. O que falta é projeção dos ossos, é trazer maxila e mandíbula pra frente. Corrigido isso, o rosto ganha o comprimento que faltava, e a relação com o nariz se ajeita. Reduzir o nariz num caso desses seria tratar o sintoma errado.

o que muda a vida é a função, o nariz é o acabamento

Existe uma hierarquia clara nessa combinação, e ela ajuda a colocar as prioridades no lugar. A ortognática é uma cirurgia funcional. Ela mexe em mordida, em respiração, em como você mastiga, em como os dentes se encaixam. A rinoplastia é predominantemente estética.

O que vai realmente mudar a sua vida é a cirurgia ortognática, porque é uma cirurgia funcional. A rinoplastia é a cereja do bolo.

Dr. Vinicius Dib, cirurgião plástico

Isso não diminui a rinoplastia. Significa que a ordem das prioridades segue a função. Primeiro se resolve o que afeta como o seu corpo trabalha. Depois se faz o refinamento estético, sobre uma base já corrigida e estável.

E há um cuidado que o cirurgião plástico faz questão de reforçar sobre o nariz, ligado justamente à respiração. O nariz funciona como uma válvula, ele controla a passagem de ar. Técnicas que estreitam demais essa passagem, na busca de um nariz mais fino, podem comprometer a respiração. A parte estrutural do nariz não é só formato, ela precisa continuar deixando você respirar bem. Por isso qualquer plano que envolva o nariz pesa o resultado visual junto com a função da válvula nasal, e não considera só a aparência isolada. Um nariz bonito que respira mal não é um bom resultado.

o que uma avaliação conjunta analisa e por que a ordem importa

Se você chegou aqui querendo entender se o seu caso é de nariz, de maxilar ou dos dois, a resposta honesta é que só uma avaliação conjunta responde. E vale saber o que essa avaliação examina quando os dois cirurgiões olham o mesmo rosto.

A avaliação verifica se existe indicação de ortognática, ou seja, se maxila e mandíbula estão fora de posição a ponto de precisar reposicionamento. Mede quanto a maxila precisaria se mover, porque esse número, comparado aos 5 milímetros, define se dá pra combinar as cirurgias ou se o nariz vai esperar. Analisa se a queixa sobre o nariz não é, na verdade, um efeito de perspectiva de um queixo recuado ou de uma face birretrusa, casos em que a ortognática e a mentoplastia resolvem a proporção sem cirurgia no nariz. E avalia a estrutura nasal pensando na respiração, pra que qualquer ajuste preserve a válvula que deixa o ar passar, sempre conforme a avaliação individual de cada paciente.

A ordem importa porque ela protege o seu resultado. A maxila é o chão do nariz. Reposicionar esse chão primeiro, esperar o edema baixar e só então trabalhar o nariz sobre uma base estável é o que faz cada cirurgia render o que promete. Fazer na ordem inversa, ou combinar tudo quando o movimento ósseo é grande demais, coloca em risco justamente aquilo que você foi buscar.

Este conteúdo nasceu de uma conversa no canal do Dr. Matheus Dib com o cirurgião plástico Dr. Vinicius Dib. Assista na íntegra:

Perguntas frequentes

Quem faz a rinoplastia na clínica?+

A rinoplastia é feita pelo Dr. Vinicius Dib, cirurgião plástico especialista em nariz. A cirurgia ortognática, que reposiciona os ossos da face, é feita pelo Dr. Matheus Dib, cirurgião bucomaxilofacial. Nos casos combinados os dois trabalham em dupla, cada um na sua área. O cirurgião bucomaxilo não realiza rinoplastia estética, isso é competência do cirurgião plástico.

Dá pra fazer a rinoplastia e a ortognática na mesma cirurgia?+

Depende do tamanho do movimento planejado pra maxila. Pela regra dos 5 milímetros, do protocolo do Dr. Mirco Raffaini, se o movimento fica dentro de 5 mm há espaço pra pensar em combinar as duas cirurgias. Se passa de 5 mm, a recomendação é fazer a rinoplastia depois. A definição sai da avaliação individual do seu caso.

Por que o nariz não pode ser operado antes da ortognática?+

Porque o nariz se apoia na maxila, o osso de cima da boca. A ortognática move essa base, que é o chão do nariz. Operar o nariz antes seria montar a estrutura nasal sobre um terreno que ainda vai mudar de lugar, o que faria o resultado se perder. Por isso a ortognática vem sempre primeiro.

Quanto tempo espero entre uma cirurgia e outra quando a rinoplastia fica pra depois?+

O intervalo costuma ser de uns seis meses. Esse tempo serve pra o edema, que é o inchaço da cirurgia, se acomodar. Assim o cirurgião plástico planeja o nariz com base no rosto já com seu formato final, e não no rosto ainda inchado do pós-operatório recente.

O primeiro passo é uma conversa.

Cada caso é único. Agende uma avaliação para entender, com calma, o melhor caminho para o seu.